Médico réu por morte de mulher após 'harmonização de bumbum' é preso depois de dois meses foragido
Médico Marcelo Alves Vasconcelos e a comerciante Adriana Barros Lima Laurentino Reprodução/Redes sociais Após mais de dois meses foragido, foi preso o méd...
Médico Marcelo Alves Vasconcelos e a comerciante Adriana Barros Lima Laurentino Reprodução/Redes sociais Após mais de dois meses foragido, foi preso o médico Marcelo Alves Vasconcelos, réu pela morte de uma paciente após um procedimento de “harmonização de bumbum”. Ele responde por homicídio qualificado por motivo torpe/ganância e pode ser condenado a uma pena de 12 a 30 anos de prisão. A vítima foi a comerciante Adriana Barros Lima Laurentino, que tinha 46 anos e morreu em janeiro de 2025, poucas horas após fazer o procedimento com Marcelo. A "harmonização de bumbum" teria sido feita com polimetilmetacrilato (PMMA), substância que teve uso proibido para fins estéticos e reparadores pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp A prisão preventiva do médico foi decretada no dia 27 de março deste ano pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Marcelo foi localizado no sábado (6), em Cascavel (CE), por equipes da Polícia Militar cearense. "A ação ocorreu após denúncias informarem que o suspeito estava com ordem judicial em aberto expedida pela Justiça do Estado de Pernambuco. Diante das informações, os policiais militares se deslocaram até o endereço indicado para averiguação. No local, a equipe identificou o indivíduo e confirmou a existência do mandado de prisão em seu desfavor", informou a PM do Ceará. Marcelo foi levado à Delegacia de Polícia Civil de Aquiraz. Ele passou por audiência de custódia no domingo (7), em que a prisão foi homologada pela Justiça cearense. Após morte de paciente, médico que responsável por ‘harmonização de bumbum’ ficou dois meses foragido Ao decretar a prisão do médico, a juíza Danielle Christine Silva Melo Burichel, da 3ª Vara do Tribunal do Júri do Recife, atendeu a um pedido do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e afirmou que a detenção é necessária para a “garantia da ordem pública e da saúde pública”, a fim de evitar que o médico continue realizando esse tipo de procedimento. Na mesma decisão, uma audiência de instrução foi marcada para 22 de setembro de 2026. Defesa Por meio de nota, o advogado Niefson Bruno Oliveira Santos, que defende o médico, disse que "Marcelo sempre esteve, e continua estando, à disposição da Justiça por meio de sua defesa técnica". Afirmou, também, que a defesa "seguirá atuando apenas pelos caminhos previstos em lei, com a apresentação das medidas cabíveis no momento certo" e que "o compromisso do Dr. Marcelo continua sendo o mesmo: responder ao processo com seriedade, responsabilidade e confiança na Justiça". Sobre a morte da paciente, o advogado afirmou que não vai comentar o caso, pois está em segredo de Justiça, e que "as questões médicas, técnicas e demais provas serão tratadas apenas dentro do processo, como deve acontecer". "Por respeito à família da paciente, ao sigilo médico e ao próprio andamento do processo, o Dr. Marcelo não vai comentar detalhes do caso publicamente. Ele lamenta profundamente a morte da paciente, se solidariza com os familiares e reafirma que confia que a Justiça vai analisar os fatos da forma correta", finaliza a nota. Inquérito policial Segundo as investigações, Adriana Barros foi encontrada morta no banheiro de casa, após relatar dores intensas logo depois de ser liberada da clínica Bodyplastia, onde fez a intervenção. A Polícia Civil apontou que a causa da morte foi embolia pulmonar. Ainda de acordo com o inquérito: a vítima sofreu choque séptico (infecção generalizada) decorrente de uma infecção urinária anterior, que teria sido agravada após o procedimento; à época do procedimento, Marcelo Alves não tinha inscrição no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e exercia a atividade de forma ilegal no estado; o médico tinha ciência dos riscos associados ao produto utilizado e “assumiu o risco do resultado que poderia ocorrer”, sendo “indiferente a ele, considerando a mercantilização generalizada estimulada pelo profissional”; Marcelo “não realizou um exame prévio detido na paciente” e só a atendeu no dia do procedimento, quando recebeu R$ 21 mil pela intervenção; exames simples, como de urina e sangue, poderiam ter identificado a infecção e evitado a morte da comerciante; o médico não priorizou "o bem-estar da paciente, mas sim o lucro exorbitante". Além disso, o inquérito cita o histórico criminal do médico, apontado como participante de um “grande esquema de fraude em ingresso nos cursos de medicina nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, com a cobrança de até R$ 140 mil por vaga”. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias