Policiais são presos em ocorrência que adolescente foi baleado e mulher agredida em Fortaleza; vídeo
Mulher é agredida por policial após primo ser baleado por agente em Fortaleza Dois soldados da Polícia Militar do Ceará (PMCE) foram presos durante uma ocor...
Mulher é agredida por policial após primo ser baleado por agente em Fortaleza Dois soldados da Polícia Militar do Ceará (PMCE) foram presos durante uma ocorrência em que um adolescente de 16 anos foi baleado e a prima dele agredida por um tapa no rosto, no Bairro Granja Lisboa, em Fortaleza, na noite da última terça-feira (17). Um vídeo mostra o desespero da família, após o jovem ser baleado por um PM, e o momento da agressão de outro militar contra a mulher (veja o vídeo acima). O PM suspeito de efetuar o disparo teve a prisão preventiva decretada, enquanto o policial suspeito de agredir a mulher foi solto com aplicação de medidas cautelares, em audiência de custódia realizada pela Justiça do Ceará, na última quinta-feira (19). Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Conforme o Auto de Prisão em Flagrante, que o g1 teve acesso, os policiais foram ao endereço, na Rua Bom Jesus, por receberam uma denúncia anônima de que, no local, havia uma mulher sendo agredida e mantida em cárcere privado. Durante a verificação, o soldado Daniel Everson Quirino de Andrade teria feito disparos, e um deles atingiu o adolescente. Uma testemunha relatou à polícia que ouviu cerca de cinco tiros. O jovem teria sido atingido na nuca, com a bala saindo na garganta, segundo familiares. O estado de saúde do jovem é grave. Nenhuma pessoa em situação de cárcere privado foi encontrada no local. O g1 procurou a Polícia Militar do Ceará para comentar a ação policial, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. Agressão à prima do adolescente Mulher levou tapas de policial na mesma ocorrência em que o primo adolescente foi baleado. Arquivo pessoal Após um disparo atingir o adolescente, familiares e vizinhos começaram a questionar os policiais que participavam da ocorrência. A prima do jovem (identidade preservada) foi agredida com um tapa pelo soldado Gilberto Maciel de Paiva Júnior, que chegou em outra composição para dar apoio à ocorrência. O g1 falou com a mulher agredida. Ela estava em casa quando ouviu de quatro a cinco disparos, seguido dos gritos dos parentes. Ao se aproximar, já encontrou o primo baleado na entrada da cozinha da avó, que fica no mesmo terreno dos demais parentes. "Na tentativa de tentar socorrer, os policiais estavam afastando a família. Entraram na cozinha da minha avó, ficaram mexendo com o meu primo. Eu falei que eles não poderiam mexer com ele, pois ele estava baleado e a família não deixou. Esse policial [agressor] iria bater em outro primo meu, foi quando eu falei que iria denunciar na CGD, e ele me bateu", disse a mulher agredida. Mulher agredida por policial ao tentar socorrer o primo baleado por uma agente ficou com ferimentos pelo corpo. Arquivo pessoal Com o impacto do tapa, a mulher caiu no chão e lesionou os dois joelhos. Ao levantar, ela continuou sendo agredida pelo soldado Gilberto Maciel, segundo a vítima. "Quando me levantei, ele me deu outro golpe, apertou minha boca e me imprensou contra o carro. Estou toda machucada, toda roxa", disse a mulher agredida. Ainda de acordo com a parente do adolescente baleado, os agentes ainda jogaram spray de pimenta nela e nos outros familiares. Entre eles, a avó do jovem baleado, uma idosa de 77 anos. Após realizarem buscas na casa e não encontrarem ilícitos, os familiares puderam socorrer o adolescente, que foi levado ao Frotinha da Parangaba. Devido à gravidade, o rapaz foi transferido para o Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF), onde permanece internado. "Ele está estável. Os médicos disseram que ele vai perder o movimento do braço esquerdo. Por enquanto, irão aguardar seis dias para analisar se ele passará por uma possível cirurgia", disse a prima do rapaz. A família também esclareceu que a casa apontada pelos policiais como local de cárcere é do irmão da vítima e não estava habitada, pois o proprietário viajou para trabalhar no interior do Estado. Prisão dos policiais O Supervisor de Policiamento do 17º Batalhão da Polícia Militar do Ceará (17º BPM/PMCE) foi acionado ao local em meio à confusão da família do jovem baleado com os policiais. Segundo o inquérito policial, ao chegar no endereço, o supervisor perguntou ao soldado Quirino, que atuava como comandante da viatura, o que havia acontecido. Na ocasião, Quirino alegou para o superior que estava em cima de um muro quando avistou dois homens que apontaram uma arma para ele. Na tentativa de se defender, ele fez os disparos. Ao ser indagado sobre a arma avistada e o segundo suspeito, o soldado disse que o homem correu e não foi encontrada arma no local. A família do adolescente contestou a versão do policial e relatou que o jovem estava no terreno da avó e havia acabado de guardar a motocicleta do primo em casa, quando foi surpreendido por um tiro pelas costas. Diante dos fatos, a arma usada pelo soldado que baleou o adolescente foi apreendida e a composição que estava na ocorrência foi encaminha à Coordenadoria de Polícia Judiciária Militar (CPJM). Na ocasião, houve a prisão dos soldados Daniel Everson Quirino, que efetuou os disparos, e de Gilberto Maciel, que agrediu a parente do rapaz. Audiência de custódia Durante a audiência de custódia dos policiais militares, realizada nesta quinta-feira (19), o soldado Gilberto Maciel - que foi gravado agredindo a parente do adolescente - foi solto com medidas cautelares, que valem pelo período de 60 dias. Entre as medidas cautelares, estão: a retirada provisória do porte de armas; ficar confinado no quartel ou guarnição, apenas para a execução de serviços administrativos internos, sendo vedada sua atuação ostensiva nas ruas; proibição de frequentar o local onde ocorreu o fato e de se aproximar das vítimas. A defesa do soldado Gilberto, representada pelos advogados Oswaldo Cardoso e Edilene Maciel, disse ao g1 que a decisão judicial reconheceu que não havia requisitos legais que autorizassem a prisão preventiva do agente. "A defesa reforça sua confiança no Poder Judiciário e ressalta que seguirá acompanhando o caso, demonstrando, no curso do processo, a verdade dos fatos", disse a defesa do soldado Giberto. Já o soldado Daniel Quirino teve a prisão preventiva decretada. Na ocasião, o juiz levou em consideração a gravidade da conduta do soldado. A defesa dele não foi localizada. "O próprio CPJM entendeu pela grafvidade inicial dos fatos ao dar voz de prisãoao autuado e recolhê-lo preventivamente, demonstrando que a mera adoção das medidas do art. 319 do CPP não serão suficientes para conter o periculum libertatis", diz um trecho da decisão judicial. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará